neil gaiman

Crônica LivreComElas

A livraria mágica de Paris

 

 

“Há mais perigo em seus olhos do que em vinte espadas”. (William Shakespeare)

A famosa livraria em Paris – “Shakespeare and Company” – é um canto épico em homenagem ao poeta, ator e dramaturgo inglês William Shakespeare, que fica numa ruazinha charmosa, bem pertinho da Notre Dame (bem, o que sobrou e está sendo restaurado dela). Numa viagem a Paris, as Irmãs de Palavra não podiam deixar de ir! É um daqueles lugares quase sagrados, que o escritor reverencia só de imaginar as figuras lendárias que já cruzaram aquela porta. Dois andares apertados, cheio de obras por todas as paredes, que sobem e descem num frenesi sem fim – de livros (livros e mais livros e mais livros). A poltrona larga de veludo é um convite para você se aconchegar. Uma escadaria de madeira te invoca a subir e encontrar ainda mais livros e, por fim, a réplica do quarto de Shakespeare, com sua cama e todo um cenário fascinante. Para leitores, livreiros, escritores e amantes da literatura é um espaço mágico – que é capaz de deslocar você do tempo e espaço em que vive e fazê-lo embarcar no mundo dos livros.

Como no romance “A livraria mágica de Paris” (Nina Georgi, 2013 – publicado no Brasil pela editora Record em 2016), em que um livreiro amalucado navega num barco-livraria pelo rio Sena até desembocar no mar, oferecendo histórias como se prescreve remédios, para curar as pessoas.  Isto é, dependendo do mal que você sofre, terá que ler um determinado livro para se livrar da doença (mal de amor, um belo e esperançoso romance, por exemplo). Essa é uma metáfora preciosa – e talvez a grande responsável pelo sucesso do livro – histórias têm poder de cura. Curam o tédio, a ignorância, a prepotência, a falta de criatividade e de ânimo. Depois de uma leitura incrível, você pode até ficar mais corajoso, mais amoroso, mais romântico. Pode inclusive se tornar um amante mais vigoroso. Lendo um livro cheio de aventuras, você quer sair por aí e conhecer novos mundos. Ansiar por desafios. Ou pode ter vontade de aprender um novo idioma, fazer um curso, comprar uma moto ou uma casa na Toscana – que maravilha! É assim que os livros curam, as histórias pulam das páginas e tomam sua cabeça, fazendo um reboliço barulhento. Aí, quando você volta para o seu dia a dia, ah, já não é mais o mesmo. Quer mais beijos, mais conversas regadas a vinhos e risadas, quer andar a cavalo, esquiar, quer um salário melhor, quer justiça, quer dar sua opinião, quer democracia e direitos iguais. Quer dar vazão.

Porque no fundo, todo mundo é um personagem inesquecível. E os livros vão sempre te lembrar disso. O resto é história (e nós adoramos!).

Beijo das Irmãs de Palavra

“– Os livros podem fazer muitas coisas, mas não tudo. As coisas mais importantes a gente deve viver”. (Nina George). 

shakespeare 2

 

Kelly Shimohiro

Kelly Shimohiro

"Tudo é um ponto. E o ponto é você!" Autora de "O Estranho Contato".